MICHAEL JACKSON IS DEAD


Impossível não falar da morte de Machael Jackson. Não que achasse ele algo especial, embora ele fosse. Não porque embalasse as reuniões dançantes na rua Itaboraí ou na Dario Perderneiras quando fazia parte do Jackson Five. Não porque ele fosse uma personalidade controversa que assumiu dimensões artísticas ineditas até então. Não que usasse seu corpo com matéria de transmutação. Não que fosse um artista completo, produzindo, cantando e compondo. Nem que ele fosse um exemplar admirável de uma pós modernidade autofágica, e sim porque ele assumiu a arte em todos os níveis. Assumiu a arte em sua vida musical, mas também em seu corpo com transformações sucessivas. Em suas coreografias ousadas, aproveitados elementos e recriando o pop. Mas essencialmente porque Michael Jackson transforma sua morte em seu hit final. Completa assim um círculo admirável. Como o ponto de uma frase, a morte obriga o exercício do entendimento de sentido. Toda leitura é retrógrada na medida que se compreende a frase de trás para a frente. É exercício da morte a nos ensinar a ler o eventos da vida.
Para Michel Jackson a finitude é o começo da eternidade.

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