DIONISO NA PELE DE APOLO



O espetáculo Quartett de Bob Wilson é o mais belo que assisti de todos os Porto Alegre em Cena até hoje.
Adorei quando Peter Brook com seu Le Custume redimiu o texto, a inventividade e o jogo. E sobretudo porque apresentou um teatro na forma e conteúdo que faz sentido para mim.
Amei o Pina Bausch e as desconstruções de seu grupo. Invadido pela beleza dos gestos e precisão.
Fiquei fascinado com Ariane Mnouchkine com seu supra realismo beirando o cinematográfico. A idéia de cenários girando criavam um clima incrível de jogo e o espetáculo se oferecia para a platéia de muitos ângulos.
Ontem o choque estético foi de outra ordem. A beleza comovente do espetáculo confere um caráter de obra de arte ao teatro como não tinha visto até então. Como se estivesse vendo um quadro vivo, uma Mona Lisa que fala, um Botticelli em 3 D, o David de Da Vinci se movendo. Imagens inusitadas que não se imagina em teatro, revelam a inventividade e o desassossego. E mesmo o texto, desconstruído de Heiner Muller (numa adaptação da obra de Choderlos de Laclos) tem uma importância atroz já que as palavras se revelam surpreendentemente fatais. Mas sobretudo a bofetada apolíneo porque não foi pura nem estéril, mas carregada e preenchida e dionisíaca.
Ontem a noite no Teatro do Sesi, Dioniso veio sob a pele de Apolo.


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