Teatro é metáfora do sucesso

Ontem aconteceu a segunda noite de Debates da Classe Teatral no Teatro Renascença. Não pude comparecer ao primeiro dia, quando meu amigo Zé Victor Castiel compareceu, mas gostei do que ouvi ontem e mais ainda do clima que se produziu. Percebe-se claramente que novos ares ventilam o pensar artístico da cidade e do estado. Um sentimento da tolerância se distribui nas falas de Roberto Oliveira, Camilo de Lélis, Alexandre Vargas, Marcelo Adams e Hamilton Leite. A coordenação precisa e pontual de Renato Mendonça contribuiu para o nível do debate de um tema delicado: sucesso. Duas coisas ficaram para mim. O sucesso é um fenômeno coletivo. E nem precisaria evocar Nietzsche quando ele afirma que é preciso de uma civilização para existir um gênio, pois a característica do teatro é a obra coletiva. E isso diferencia de todas as outras artes. Primeiro que teatro precisa de um autor, depois de um diretor e por fim de um ator. Não necessariamente nesta ordem, nem necessariamente dividido em três pessoas. Podem ser mais, e quase sempre são. E se levarmos em conta ainda a musica, o cenário, o figurino, iluminação que na maioria da vezes é essencial para um bom espetáculo então o coletivo fica ainda mais coletivo. E de nada adianta o ator brilhar sozinho ou o cenário ser magnifico ou o texto ser genial. A obra é coletiva e demanda a parte de cada um para formar o todos. Teatro é metáfora e as partes compõem o sucesso numa cerimônia de integração que vai formar o patrimônio imaterial do espetáculo, conforme expressão feliz de Alexandre Vargas, e assim, cada peça vai encontrar o seu sucesso, sua realização e reconhecimento nos seus interlocutores. Sempre se espera que sejam muito, embora seja evidente que quem escolhe é a obra e não os criadores. No teatro a vaidade é consome em si mesmo quando se imagina que o criador é maior do que a criatura. O que observo é exatamente o oposto. A obra cria o criador. E suceder da obra determina o sucesso.

O outro sentimento, diametralmente oposto, é que a inveja é individual. Exercício solitário da destruição e do não reconhecimento a inveja, sem conotação moral, mas sim a análise do fenômeno, desgasta a alteridade e joga tudo na cova rasa da desqualificação.

E pensar isso, me fez bem.

Comentários

Anônimo disse…
um profeta antigo gemeu "ai de ti babilônia, sobre ti só restará areia e chacais a fazer ninhos em tuas ruínas" os profetas também eram poetas, e os poetas(vates) vaticinam...o que restará deste mal estar em nossa cultura?...sec XXI, ventos varrem essa babilônia global...e ninguém há de querer escapar sozinho, demo-nos as mãos companheiros(as: o sucesso é a sobrevivência!
Camilo de Lélis

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