GHETIFICACAO

TENHO há várias décadas uma preocupação com a ghetificação do teatro. Desde o tempo de faculdade, no final dos anos 70 até hoje penso ser uma questão atual. Há que se concordar que não é exclusiva do teatro. Aparece na música, nas artes plásticas e também no cinema. Formação de públicos específicos é essencial para o destino de cada obra de arte. Temos dois extremos. De um lado a cultura de massa, visando o disco de platina e os teatros lotados. Afora algumas obras que conseguem alcançar grandes audiências e produzir grossas doses de pensamento e emoção, uma boa parte destas obras pecam pelo primarismo e pela simplificação. Se apoiam em formulas aparentemente infalíveis. A duvida quer fica é se existem formulas infalíveis. Quando Orson Welles rompeu o paradigma da linearidade narrativa criou uma formula para todos. E assim caminha a humanidade. Ruptura e continuidade. No polo, obras se isolam no vanguardismo e sofre o isolamento de falar apenas com os seus. Estes trabalhos servem para quebrar paradigmas. Porém o sistema logo absorve e transforma o novo no rotineiro. Nos anos sessenta, o movimento hippie prometia mudar o mundo. O comportamento sexual, as relações de poder e a forma de amar. Seu maior símbolo era os cabelos longos e a roupa colorida. Porém, a calça Lee da revolução sexual virou a calça azul e desbotada do que jingle. Por isso, penso que mais teatro no cardápio teria que passar por um estimulo a diversidade. Esse sim, um valor essencial, pois caminha de mãos dada com a subjetividade. E esta é a pedra rara dos nosso dias.

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